A Polícia Civil de Pernambuco, por meio do Grupo de Operações Especiais (GOE), deflagrou, nesta terça-feira (25), a Operação de Repressão Qualificada Controle Paralelo, para desarticular um esquema criminoso que atuava dentro e fora de uma unidade prisional de Vitória de Santo Antão. As investigações apontam para a prática de extorsões contra pessoas privadas de liberdade e seus familiares, além de corrupção e lavagem de dinheiro. O trabalho investigativo teve início em 2022, a partir de uma requisição do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), para apurar agressões e cobranças ilegais praticadas no sistema prisional.
O esquema tinha como figura central um detento que exercia informalmente a função de “chaveiro”, responsável pelo controle de um pavilhão. Ele cobrava valores de presos que contraíam dívidas dentro da unidade, principalmente em razão da concessão de benefícios e regalias, como a ocupação de espaços mais privilegiados nas celas e disponibilização de colchões. Quando os valores não eram pagos, os presos eram submetidos a agressões. As cobranças eram posteriormente direcionadas aos familiares das vítimas, que, diante do temor de novas violências, acabavam realizando os pagamentos.

No decorrer das apurações, a Polícia Civil identificou movimentações financeiras que levaram à descoberta de um possível esquema de lavagem de capitais. De acordo com o delegado, valores provenientes das extorsões eram movimentados por meio de contas de policiais penais, familiares de agentes públicos e de uma empresa criada pelo próprio chaveiro para atuar na criação de camarões.
As investigações também apontaram para a participação do então diretor da unidade prisional que teria mantido relação próxima com o chaveiro e realizado movimentações financeiras com pessoas ligadas ao grupo. O ex-diretor teria sido responsável pela permanência do detento na posição de liderança informal dentro da unidade.

Durante a operação, foram expedidos seis mandados de prisão temporária, sendo três contra policiais penais. Até o momento, quatro pessoas foram presas, entre elas o ex-diretor da unidade prisional, um policial penal, uma pessoa apontada como responsável por participar da lavagem de capitais e o sobrinho do chaveiro, que foi localizado com uma espingarda calibre 12. O ex-chaveiro e um policial penal ainda não foram localizados e são considerados foragidos. Na residência do ex-chaveiro, os policiais encontraram três armas de fogo em condições de pronto emprego. Segundo a investigação, a terceira pessoa presa possui passagem anterior relacionada ao tráfico de drogas.
As investigações continuam para localizar os foragidos e aprofundar a análise das movimentações financeiras. A PCPE também busca esclarecer a extensão dos crimes praticados e o destino dos valores obtidos por meio das extorsões.










